O ISRAELENSE QUE VIU JESUS
O sol de Jerusalém costuma aquecer as pedras antigas, mas para Benjamin, ele apenas expunha as rachaduras de uma história em que ele não conseguia mais habitar. Judeu de nascimento, ateu por convicção, ele carregava o peso de pertencer a um povo cuja identidade parecia amarrada a promessas que ele considerava mitológicas. — Direitos ancestrais baseados em textos sagrados? — questionava ele, em debates acalorados com amigos. — A terra pertence a quem nela vive e sofre, não a quem exibe uma escritura divina que ninguém pode provar. A Bíblia é uma bela colcha de retalhos literária, nada mais. Seu valor é apenas isso, literário. Ele se tornou um dos maiores ativistas anticristão e antibiblico do mundo. Ele debatia fervorosamente con qualquer um que quisesse, sem voltar atrás em seus argumentos fortíssimos. Era uma sumidade no debate. Sua busca por respostas — ou talvez o desejo secreto de provar a si mesmo que estava certo — o levou, certa noite, ao auditório de um seminário cristão. No pa...