
O livro de Provérbios foi escrito por Salomão rei em Jerusalém, e faz
parte da poesia hebraica, sapiencial, e de muito proveito. Da poesia
bíblica também faz parte o livro de Salmos, Eclesiastes e Cantares,
estes dois últimos escritor por Salomão, embora alguns eruditos achem
que ele não escreveu esses livros, pelo menos em boa parte dos livros
há autoria desconhecida.
Está claro que existia a poesia cultual em
Israel, usada para tudo; cada evento na sociedade tinha seu gênero
literário, e isso incluía a poesia, segundo afirmam Hermann e Gurkel.
Existiam os lamentos e canções, vindo da palavra qina, lamento; era
escrito com cinco sílabas poéticas, contendo pesar e dor: 2 Sm 1.25; Jr
22.18; 2 Sm 1.22; 1.24; Lm 1.21,22; 2 Sm 1.19-27. Queixas: Sl 25;
51.3-559.3,4; Sl 22.4,5; 3-7; 9-13.
As festas anuais nas quais eram
lidos os salmos 8, 23, 33, 77, 100, 103-104,111; entre eles, eram
também lidos os salmos reais, como o 2, 110, 45, e 132, segundo Gunkel. A
cultura popular influenciou na confecção desses salmos, ao invés de
acontecer o inverso, como alguns creem.
Os salmos usados ou lidos
nas cerimônias de entrada eram os seguintes: 5; 24; 68; 118; 132. Todos
eles tinham um uso certo nessas cerimônias, como mostram estudos
realizados por comentaristas como Gunkel e outros.
Mas são nos
provérbios que o ensinamento hebraico tem uma desenvoltura mais
dinâmica, segundo alguns. Os ensinamentos começam com o pai ou mãe, que
são os primeiros mestres do jovem; mas também os mestres eram chamados
de pai, um costume semítico. Segundo os estudiosos, os provérbios como
ensinamentos didáticos, começou com Salomão, o rei de Israel. Há vários
estilos literários usados para ensinar, entre eles a alegoria—Proverbios
5. 15,23; relatos—Pv 7.6-23; relatos do mestre—Ec 1.12-2.26; hinos—Jó
28.
O nome hebraico para o livro de Provérbios é Mishley Shalomon;
nele há 6.915 palavras (Jenni, II, 689); está na terceira parte da
Bíblia Judaica; é o terceiro mais antigo. A ordem que seguimos é a da
Septuaginta, que dispôs os provérbios da forma que conhecemos hoje, e
também foi confirmada pela Vulgata, a versão de Jerônimo, adotada pelo
catolicismo. A veracidade desse livro foi confirmada por Josefo, Fílon,
pelo Mishnah, e os Rolos do Mar Morto. Mas não são só esses escritores
que atestam a veracidade de Provérbios, pois até o Corão fala que foi
Salomão quem escreveu eles. Você pode ver isso nas Suras XXVIII,170;
XXXIV, 190; e na Sura XXXVIII, 201.
Salomão, pois, é dono de 3000
provérbios, 1005 cânticos, além dos salmos 72, entre outro. O NT fala
dele: Mt 6.29; Lc 12.27. O nome do de Salomão é citado três vezes no
livro: 1.1; 10.1; 25.1. A seção que vai de 10.1-22.16 tem 375
provérbios; a seção de 25. 1-29:27 tem provérbios.
Outra coisa bem
interessante nesse livro são os nome de Agur e Lemuel, que alguns
rabinos achavam que eram outras designações para Salomão, o que não
deixa de ser muito interessante. No entanto, ninguém sabe se há uma
mensagem por trás desse nome, e a razão que fez com que o rei-autor
usasse esses nomes para ele; já para alguns, esses nomes são de outras
pessoas, que são descendentes de Ismael realmente,e seus nomes têm
significados que louvam a Deus.
Prosseguindo, os capítulos 25-29
foram compilados por Ezequias, cerca de 250 anos depois. Um termo muito
usado no livro é marshal, que tem o significado de parábola, profecia,
dito breve, ou discurso. Jesus usou provérbios em seus ensinamentos, o
breve e o comum.
Neste livro encontramos mais de 500 temas; a
palavra jakan (sábio) é muito utilizada no livro sapiencial, como também
musar (disciplina); beynah (inteligência); petiy (ingênuo); lets
(burladores); tokajat (repreensão); tabunah (entendimento); temukah
(perversidade), entre outras.
Alem do mais, esse livro é muito
citado no NT, como nas passagens de 2 Pd 2.22 e Rm 12.20. Há 78
palavras no texto hebreu sem significado claro, ou obscuro; no livro de
Provérbios, as quatro fontes de sabedoria são o lugar, o ancião, os
profetas, e os sacerdotes. Além disso, segundo estudiosos da literatura
semítica, a poesia sapiencial hebraica teve influência do Egito, Amom,
Moabe. Nas pesquisas feitas, foram achadas provas disso, como as
ostrakas, do Egito, contendo a sabedoria de Amenotepe, que, comparada
com a literatura semítica, mormente a de Israel, encontraram certas
semelhanças, mas a dos hebreus supera em qualidade aquela.
Outra
palavra bastante usada na literatura sapiencial é qara,traduzida por
chamar no livro de Provérbios; sabedoria vem da palavra jakemah,
habilidade. No livro do sábio, toda a criação de Deus precisa escutar a
mensagem divina; a sabedoria vai onde está o povo, pois todos precisam
saber. É maravilhoso como ela se personifica numa prosopopeia
maravilhosa, agindo como uma pessoa.
É usado um verbo shakam,
habitar de modo permanente; tem também o significado de sabedoria para
agir, como usado em 12.2; 14.17; 24.8. Os quatro bens da sabedoria são o
conselho, a iniciativa, a coragem e a valentia. Fica claro que a
justiça se alcança pela sabedoria, a justiça perfeita, permanente.
A
sabedoria, então, usa o pronome na primeira pessoa aniy, eu, e começa a
falar de suas maravilhas, suas mensagens ricas de sentido e beleza:
11.22; 17.3; 25.11.
Agora uma das maiores dificuldades no texto
sapiencial desse livro é o do verso 22 do capítulo em voga; alguns a
interpretam como sendo Cristo, baseando-se em Jo 1.1-5; 1 Co 1.18-31; Cl
1.15. Calvino interpretou essa passagem como sendo alusão a Cristo,
enquanto que os rabinos dizem que é a Lei, certamente se referindo à sua
perfeição.
A sabedoria termina seu lindo discurso dizendo ser tolo
quem não a ama; esse tem uma estreita relação com a morte (veja também
em 1.19; 2.16; 7.26,27).
Houve um livro chamado Bem Sirá, escrito no
século II a.C., que tem um paralelo com o livro de Provérbios em vários
trechos seu; no entanto, não é considerado canônico. O segundo livro
vem de um judeu de Alexandria, Sabedoria de Salomão, mas só é aceito
pela igreja católica, não sendo considerado pelas demais igrejas.
Provérbios é um livro de excepcional utilidade para o bem viver do
jovem, e para que o tolo aprenda a ser sábio, e para o sábio ser ainda
mais sábio; portanto, usufruamos dele.
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