A DESTRUIÇÃO SISTEMATICA DO ÚLTIMO BASTIÃO BRASILEIRO
O futebol nunca foi apenas um esporte para o brasileiro; foi, por décadas, a nossa diplomacia cultural mais eficiente, o nosso espelho de autoestima e o principal ponto de amálgama de uma identidade nacional fragmentada. Quando a Seleção Brasileira entrava em campo, o país se reconhecia em sua própria genialidade. Hoje, porém, o cenário é de terra arrasada. A camisa canarinha, outrora temida e reverenciada, hoje caminha sob o signo do descrédito e da apatia. Para o observador atento, o estado atual do nosso futebol não é fruto do acaso ou de uma mera "safra ruim" de jogadores, mas sim o ápice de um processo sistemático de desqualificação de nossos símbolos nacionais.
A percepção de que há um plano em curso para esvaziar o prestígio da Seleção ganhou contornos nítidos a partir de 2014, com o trauma do Mineirão e a subsequente perda de identidade do nosso jogo. No entanto, uma análise retrospectiva mais profunda sugere que as engrenagens dessa engrenagem começaram a girar muito antes, por volta de 2004. Foi nesse período que a globalização do futebol começou a afastar o atleta brasileiro de suas raízes, transformando promessas em commodities europeias antes mesmo de criarem laços com o torcedor local. A Seleção foi, gradativamente, deixando de pertencer ao povo para se tornar uma franquia corporativa internacionalizada.
Esse distanciamento não é inofensivo. Existe uma clara agenda que se beneficia da erosão do orgulho pátrio. Ao longo dos últimos anos, vimos uma investida constante contra tudo o que unificava o país. Símbolos históricos, a bandeira e as cores nacionais foram capturados por disputas narrativas e polarizações que os esvaziaram de seu sentido original. Restava a Seleção Brasileira — o último bastião de uma identidade compartilhada, o único momento em que todas as classes, regiões e visões políticas convergiam na mesma torcida. um perigo que não puderam ou não quiseram ver?
Ao desmistificar a Seleção, ao transformá-la em uma equipe comum, burocrática e sem moral, o golpe de misericórdia foi desferido na nossa autoimagem. A tese de uma engenharia internacional para diminuir a relevância do Brasil no cenário global ganha força quando percebemos quem perde e quem ganha com esse cenário. Um povo sem símbolos fortes é um povo mais fácil de ser fragmentado e desanimado. Esse é o grande plano desse grupo. Se pensar mais um pouco, vai entender.
A conspiração, intencional ou operada pelas forças do mercado global, funcionou. O Brasil perdeu o seu grande símbolo de excelência e alegria. O desafio que se impõe agora não é apenas tático ou de gestão esportiva dentro das quatro linhas; é cultural e de soberania. Recuperar a Seleção Brasileira é, acima de tudo, resgatar o direito de voltar a ter orgulho de nós mesmos.

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