PASTOR É AILTON É CRITICADO POR SER RECRBIDO COM DANÇAS NA IGREJA
Um vídeo que circulou recentemente nas redes sociais reacendeu o debate sobre a relação entre o Evangelho e as manifestações culturais no campo missionário. As imagens mostram o pastor Ailton José Alves e sua esposa participando de um culto em um país africano, onde a Igreja Assembleia de Deus de Recife (PE) mantém uma base missionária. Durante o culto, irmãs locais dançam alegremente ao som de um hino enquanto o casal caminha por um corredor, recebendo uma homenagem calorosa e tradicional daquela comunidade.
Não demorou para que surgissem críticas nas redes de internautas brasileiros. Muitos questionaram o pastor e sua esposa por permitirem tal recepção, julgando o momento inadequado. No entanto, esse tipo de censura revela um profundo desconhecimento sobre a realidade das missões transculturais e, acima de tudo, confunde a liturgia eclesiástica brasileira com a essência do cristianismo. É um perigo desconhecer cultura diferentes da nossa. Deus respeita as culturas.
A Dança como Expressão de Fé e Respeito
Na maior parte das culturas africanas, o corpo, o ritmo e o movimento não são separados da vida espiritual. Enquanto no ocidente a reverência muitas vezes é associada à imobilidade e ao silêncio, para muitos povos africanos a adoração a Deus e a celebração da vida se manifestam através da dança coletiva e da alegria efusiva.
Homenagear líderes e visitantes com cânticos e movimentos rítmicos é uma demonstração legítima de honra, hospitalidade e gratidão a Deus pela vida daqueles que cruzaram o oceano para levar o apoio à comunidade. Exigir que esses cristãos se comportem segundo os ditames e a rigidez cultural da igreja brasileira é desconsiderar a identidade deles e impor um padrão que a própria Bíblia não estabelece.
"Pregar o evangelho não é levar a nossa cultura, mas a Palavra de Deus e as boas novas de salvação."
O Perigo do Etnocentrismo Religioso
O grande erro daqueles que criticam o episódio é o chamado etnocentrismo, que ocorre quando um grupo julga a cultura do outro a partir dos seus próprios valores e costumes. A igreja brasileira possui uma história rica e uma liturgia própria, moldada por suas próprias influências históricas. No entanto, o modelo litúrgico do Brasil não é o padrão universal do Reino de Deus. Precisamos aprender isso.
Quando os pioneiros das missões entenderam que o Evangelho precisava ser contextualizado, a Igreja cresceu. O apóstolo Paulo já compreendia esse princípio ao afirmar que se fazia "como judeu para os judeus" e "como grego para os gregos", a fim de ganhar o maior número possível de almas (1 Coríntios 9:20-22). O manto cultural muda de nação para nação, mas o tecido da Palavra de Deus permanece inalterado. Basta estudarmos a Bíblia.
Conclusão: A Unidade na Diversidade
O vídeo do pastor Ailton e sua esposa na África não deveria ser motivo de escândalo, mas de celebração. Ele nos mostra uma igreja viva, que adora a Deus com os recursos, a alegria e a verdade de sua própria terra.
A missão da Igreja não é colonizar culturalmente outros povos ou torná-los cópias das congregações brasileiras. A nossa missão é semear a Palavra. O fruto que nasce em solo africano terá a cor, o ritmo e o perfume da África — e isso, longe de ser um erro, é a maior prova da beleza e da universalidade do Evangelho de Jesus Cristo.


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