IEADPE:TENTANDO ENTENDER A TRAGÉDIA



Por J.M.





a morte precoce da irmã Andalúzia Maria,  do jovem Pastor Pedro Wilson, que dirige a Igreja no município de São Vicente Férrer, está doendo muito em nossos corações.

Se ser cristão, na IEADPE, tem uma série de cobranças, devido aos costumes da igreja, mesmo que não se tenha um cargo, ou mesmo que não seja parente de pastor, imagine ser  a mulher de um pastor, que por si só é uma coisa muito “pesada”, muito séria, muitas cobranças. Não é fácil.

Sabe-se que nossa irmã sofria de depressão, e estava no Congresso das Mulheres, festa anual das mulheres em Pernambuco. No outro dia, houve a notícia.

Toda a internet está falando. Um dos primeiros a comentar sobre isso foi a página “Assembleianos de Valor”, que caiu como uma bomba. Explodiu nas redes sociais. Que triste!

Muita gente dizendo que nossa irmã atentou contra sua vida, mas, que certeza temos disso?Sabe-se que ela tomava remédio controlado, para depressão, ela estava no congresso, e ninguém sabia como estava sua alma, só Deus. Talvez ela tenha tomado uma quantidade além da conta para dormir mais tempo, ou não estava com as ideias claras. A perturbação que a depressão causa, é uma carga muito intensa. Digo isso porque sofri vinte anos com depressão, muito intensa, e sofria sem ser ouvido  por ninguém, sofria calado, desde minha infância, passando pela adolescência e juventude. Sozinho, sem um pio de desabafo, uma tristeza de mil metros, título que uso em meu livro, que lançarei brevemente. Sei como é isso. Muito fácil julgar, e não podemos ter certeza o que houve realmente.

Quem tem depressão nem sempre tem a compreensão dos familiares, quando alguém resolve desabafar, a pessoa que escuta já fica achando que a pessoa está com "falta de fé" , que é "fraca" , etc. Geralmente a pessoa que está ouvindo não tem paciência. Na IEADPE isso nem sempre é visto com seriedade, no sentido de ter uma estrutura de profissionais capacitados, ou ajuda de psicólogos e psiquiatras disponíveis; há bastante dificuldades para conseguir isso. Sei de várias pessoas que me disseram isso mesmo. Eu também  sei por experiência propria. Não há essa cultura de uma escuta profissional nesse sentido disponível para a comunidade evangélica dessa igreja, embora ela tenha uma estrutura gigantesca. É uma pena. Poderia investir nisso.

Eu passei por essa depressão fortíssima, orando, desabafando com Deus, contando minhas dores, como se eu estivesse diante dele, deitado em um divã, desabafando com Ele. Então ele me ouviu, me livrou, como livrou ao salmista. 

Quantas, daquelas centenas de mulheres, estavam ali, tristes, como nossa irmã?Quantos pastores e lideranças em geral, conhecemos, que escutam de verdade o que sentem, ou como estão? Liderar não só dá ordens, mostrar autoridade, mas se importar com o bem-estar geral dos liderados. Hoje, estou curado da depressão, Deus arrancou ela de mim, tirou do meu peito com Sua mão forte!

Espero que agora as lideranças assembleanas abram os olhos e socorram nossas irmãs, quer sejam mulheres de pastores ou não, pois a depressão não olha posição de ninguém. Nem tudo é questão espiritual. Pode ser emocional ou psicológica. Abram mesmo os olhos, caros líderes, cuidem mais de suas ovelhas!

Não sabemos se ela desabafava com seu esposo, ou orando, ou se havia um acompanhamento da igreja. 

Muitos servos de Deus, na Bíblia, passaram por grande exaustão mental, ou depressão. Elias pediu a morte a Deus, mas não foi ouvido; Davi disse, no Salmo 116.1-5:

“Os cordéis da morte me cercaram, e angústias do inferno se apoderaram de mim; encontrei aperto e tristeza.
4 Então invoquei o nome do Senhor, dizendo: Ó Senhor, livra a minha alma.
5 Piedoso é o Senhor e justo; o nosso Deus tem misericórdia.
6 O Senhor guarda aos símplices; fui abatido, mas ele me livrou.
7 Volta, minha alma, para o teu repouso, pois o Senhor te fez bem.”
8 Porque tu livraste a minha alma da morte, os meus olhos das lágrimas, e os meus pés da queda.”

Este é o caminho; já passei por isso, sei da solidão de um deprimido, imagino o que passou nossa irmã, e sei que Deus a compreendia. 

Ninguém quer se envolver, escutar, é quase impossível alguém disposto a ouvir, mesmo na família. Talvez ela não estivesse pensando direito. Talvez quisesse apenas dormir mais um pouco, ou errado na dose para dormir mais. Talvez não tenha sido suicídio. Deus sabe.





 

J.L.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Liberdade de Ensinar: Um Caso de Discriminação em São Paulo

O Caso Flávio Bolsonaro e Vorcaro

Paulo e o Culto na Igreja