QUANTAS VEZES SE DEVE CEAR NO MÊS?

 


​Entre todos os momentos que compõem a rotina litúrgica das igrejas evangélicas, nenhum carrega tamanha profundidade espiritual quanto a Santa Ceia. Trata-se do culto mais solene da fé cristã protestante — um instante de pausa, reflexão e profunda gratidão. Nela, não celebramos apenas um ato simbólico do passado, mas a vitória definitiva de Cristo sobre a morte e a promessa da vida eterna.

Apesar de sua essência clara, a prática da ceia frequentemente levanta debates operacionais e doutrinários entre os fiéis. Afinal, qual é a frequência ideal para cear? Deve ser um ritual estritamente mensal, como tradicionalmente ocorre em muitas comunidades, ou pode ser praticado semanalmente, ou até diariamente, conforme a sensibilidade de cada ajuntamento?
​A resposta para essa questão talvez importe menos do que a intenção do coração. O texto bíblico não estabelece um calendário rígido, mas enfatiza o motivo: "fazei isto em memória de mim". Quer ocorra uma vez ao mês ou uma vez por semana, a eficácia do memorial reside na reverência e no entendimento do sacrifício da cruz, e não na frequência do calendário.

Outro ponto de reflexão fundamental é a transversalidade denominacional. Em um cenário evangélico fragmentado por placas, costumes e abordagens teológicas distintas, surge a dúvida: um cristão pode participar da ceia em diferentes denominações?

A essência do Evangelho nos lembra que o Deus é o mesmo e o Cristo é o mesmo. A verdadeira Igreja de Cristo não está confinada entre quatro paredes específicas ou limitada a um CNPJ institucional. Ela é invisível e composta por todos aqueles que professam a fé e seguem as verdades bíblicas.
​ 
Um erro muito comum é impedir mulheres que viviam com seus maridos sem ser casada, após a conversão ela ficar proibida de cear. Isso é um erro muito sério. A mulher não conhecia a Cristo, não pode continuar pagando por pecados cometidos antes disso. Colocam os carros na frente dos bois. Hereges. O que eles estão fazendo é confundindo a mente dessas pessoas e prejudicando o reino de Deus. O Coríntios no capítulo 5.17 diz que somos "novas criaturas". Vai ser arrebata quando a trombeta tocar, mas não pode cear? Muito contraditório.

A mesa do Senhor não pertence a uma placa denominacional; pertence a Cristo. Onde a verdade da Palavra é pregada e o sacrifício da cruz é honrado, ali a igreja se faz presente. Não é obrigado cear apenas em sua denominação. A união em Cristo é espiritual, e não denominacional. O pastor que ensina o contrário está ensinando heresias. Devia parar com isso.




É totalmente aceitável que um cristão da Assembléia de Deus, possa cear na igreja batista. Ou vice-versa. Ou em qualquer outra denominação. Se ela prega as verdades bíblicas, então Cristo está nela. É isso que devemos compreender. 

Trancar a comunhão por barreiras institucionais é apequenar o significado de um gesto que nasceu justamente para unir o corpo de Cristo. Ao nos aproximarmos do pão e do cálice, devemos enxergar além das diferenças secundárias de usos e costumes. O que nos une na mesa é infinitamente maior do que o que nos separa nos templos: a graça de um Deus vivo e a memória de um sacrifício perfeito. O sacrifício de Cristo é que deve contar, e não costumes denominacionais, pois interessante por trás disso é o medo de perder dízimos e ofertas. Vergonhoso.



J. L. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Liberdade de Ensinar: Um Caso de Discriminação em São Paulo

IEADPE:TENTANDO ENTENDER A TRAGÉDIA

O Caso Flávio Bolsonaro e Vorcaro